A Borgonha, os Duques e o Pinot Noir

Hoje em dia os vinhos Pinot Noir produzidos na Côte d’Or são reconhecidos por sua excelência e raridade, mas sabia que se não fossem os Duques da Borgonha, talvez eles nem tivessem ganhado tanta projeção?

Os Duques da Borgonha comandaram a região entre 1363 e 1477. Muito apreciadores do vinho local, eles se esforçaram para que a bebida fosse reconhecida além da Borgonha. Nesta época a localidade era reconhecida como rica, poderosa e influente junto ao Rei e nobreza devido à sua importante indústria têxtil, o que ajudou a promover os vinhos elaborados a partir da Pinot.

Primeiro dos Duques, Filipe, o Audaz costumava presentear o Rei, Papa, nobreza e cardinais com barris de vinho Pinot Noir. 

regiões da bourgogne

Sempre de olho em seus vinhedos, Filipe percebeu que a uva Gamay crescia abundantemente, tomando espaço da sua preferida e “superior” Pinot Noir. Alegando que era  uma uva inferior e ruim, o Duque proibiu a plantação de Gamay na Côte d’Or – fugindo pro sul, a Gamay ia encontrar sua “casa” em Beaujolais, logo ao sul da Borgonha.

Em seguida, no governo do Duque João I , o Sem Medo (1404-1419), o Rei Charles VI emitiu um decreto delimitando a zona de produção de uvas da Borgonha, compreendendo as regiões que conhecemos hoje (mapa ao lado)


Hospices de Beaune - Musée de l'Hôtel-Dieu (Beaune)

Sob Filipe, o Bom, em 1443 foram fundados os Hospices de Beaune, um hospital de caridade construído em arquitetura gótica que está em funcionamento até hoje. Em 1457 Guillemette Levernier doou 60 hectares de terras à instituição – sendo a maior parte de Premier Crus e Grand Crus  –  e esta desde então passou a produzir e vender vinhos para pagar a manutenção e melhoria dos equipamentos utilizados no hospital.

Desde 1859 as vendas dos vinhos dos Hospices de Beaune são realizadas através de leilões, que ocorrem todos os anos no terceiro domingo de novembro. A excelente qualidade dos vinhos e o caráter filantrópico faz com que sejam muito disputados.

A maior parte dos vinhos Pinot Noir da Côte d’Or são estruturados, tânicos, e expressam aromas terrosos, de especiarias e flores, que evoluem lentamente ao longo do tempo, podendo  alcançar seu auge com mais de 20 anos de guarda!

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